13maio, 2021
Obesidade traz mais risco de doença cardiovascular para meninas que para meninos

Estudo feito com 92 adolescentes sugere que as meninas são mais propensas do que os meninos a desenvolver alterações metabólicas associadas à obesidade, entre elas hipertensão e dislipidemia – como é chamada a elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue.

A pesquisa foi conduzida com apoio da FAPESP por cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Os resultados foram divulgados em artigo na revista Frontiers in Nutrition.

Segundo os autores, os dados revelam um padrão de alterações no perfil lipídico associado às meninas obesas, quando comparadas a meninas sem sobrepeso. A conclusão é que as garotas do primeiro grupo têm mais predisposição a sofrer de doenças cardiovasculares na vida adulta.

“Observamos que as meninas são muito mais propensas às alterações típicas da obesidade, como hipertensão e dislipidemia. Elas apresentaram níveis aumentados de triglicerídeos e LDL, o chamado colesterol ‘ruim’, enquanto o HDL, o colesterol ‘bom’, foi menor em comparação às meninas eutróficas [sem sobrepeso]”, revela a bióloga Estefania Simoes, primeira autora do trabalho.

O perfil lipídico dos meninos obesos não apresentou diferenças significativas quando comparado com o dos meninos eutróficos, segundo os cientistas.

A obesidade infantil é uma preocupação crescente de autoridades sanitárias e estudiosos da área da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesos em 2016. É bem sabido que a obesidade na infância pode acarretar distúrbios metabólicos e doenças cardiovasculares na vida adulta.

Embora a questão venha ocupando cientistas e grupos de pesquisa há algum tempo, a ocorrência da obesidade na adolescência sob o ponto de vista das diferenças entre os sexos ainda é um tema pouco explorado.

“Nós comparamos adolescentes obesos e não obesos entre 11 e 18 anos de ambos os sexos abordando, simultaneamente, medidas antropométricas, perfil lipídico e lipoproteico, concentração de hormônios e neuropeptídeos, com foco especial nas respostas dependentes do sexo. Até onde sabemos, trata-se do primeiro estudo com essa abordagem multifatorial.”

O trabalho recebeu financiamento por meio de dois projetos: “Avaliação de anatomia cerebral, mediadores inflamatórios e hormônios reguladores do apetite de pacientes pediátricos obesos: um estudo sobre a neurobiologia da obesidade” e “Inflamação sistêmica em pacientes com caquexia associada ao câncer: mecanismos e estratégias terapêuticas, uma abordagem em medicina translacional”.

Colaborações –

A pesquisa foi realizada em colaboração com o neurologista e psiquiatra Ricardo Riyoiti Uchida, pesquisador que lidera o trabalho e responsável pelo recrutamento dos 92 adolescentes que participaram do levantamento, no Ambulatório de Endocrinopediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Uchida vem tentando entender, por meio de neuroimagens, se existe alguma alteração nas regiões do cérebro relacionadas à saciedade e ao apetite. “É outro trabalho que está prestes a sair. O objetivo é caracterizar o sistema nervoso central dos pacientes obesos. Ele estuda obesidade adolescente há muitos anos”, adianta Simoes.

Além da coleta de sangue dos pacientes e da aferição da pressão sanguínea, foram mensuradas as concentrações plasmáticas (em jejum) de colesterol total (TC), colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) e triglicerídeos (TG). Esse trabalho foi feito pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Adicionalmente, foram aplicados vários questionários desenvolvidos para identificar os padrões alimentares que exibem sinais de dependência de alimentos ricos em gordura e/ou açúcar, assim como distúrbios alimentares.

Os cientistas mediram, ainda, os neuropeptídeos ligados a alterações neuro-humorais e descobriram que eles estão bastante alterados nos indivíduos obesos. Os neuropeptídeos são liberados em resposta a sinais periféricos (tais como hormônios) para regular o apetite e o equilíbrio energético. “Além disso, a leptina e a insulina interagem com os neuropeptídeos NPY, MCH e α-MSH, não apenas regulando o apetite, mas também ativando o sistema nervoso simpático, possivelmente contribuindo para a hipertensão relacionada à obesidade”, revela Simoes.

De acordo com ela, esses novos dados relativos às diferenças observadas entre meninos e meninas no padrão de hormônio, citocinas e neuropeptídeos apontam a necessidade de uma terapia mais direcionada e específica. “Por mais que se queira fazer um tratamento único, no que diz respeito a fármacos ou suplementação alimentar, o que os dados mostram é que talvez não se deva tratar do mesmo modo meninos e meninas, mesmo que eles tenham o mesmo peso e idade. Porque o organismo vai reagir de maneira diferente.”

13maio, 2021
Estudo alemão descobre proteína associada à longevidade

Uma proteína produzida pelas células nervosas pode ser uma forma eficaz de avaliar a saúde de pessoas que estão envelhecendo. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista científica Nature Ageing, níveis sanguíneos da proteína neurofilamento de cadeia leve (NfL, na sigla em inglês) estão diretamente associadas à longevidade.

No estudo, pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, analisaram os níveis de NfL no sangue de 180 pessoas na casa dos noventa anos e de 135 pessoas que tinham 100 anos. Os resultados mostraram que tanto em nonagenários quanto em centenários níveis mais baixos da proteína estavam correlacionados com sobrevida mais longa. 

Estudos anteriores já haviam mostrado que os níveis de NfL no sangue aumentam após danos cerebrais e o aparecimento de doenças neurodegenerativas. Dessa maneira, a proteína funciona como um biomarcador. Caso sejam detectados níveis altos, o indivíduo pode estar sofrendo de alguma lesão neuronal, o que está diretamente associado a um tempo de vida mais curto ou a presença de alguma doença neurodegenerativa. Agora, eles também sugerem que medir os níveis dessa proteína pode ser uma melhor forma de predizer o risco de mortalidade de idosos em idade avançada, em comparação com outros marcadores, como níveis de atividade ou funcionamento cognitivo.

13maio, 2021
Quais cuidados as gestantes devem tomar durante a pandemia de Covid-19?

A partir de uma certa idade, a vontade de ser mãe acaba aflorando em várias mulheres. Por mais que não seja o sonho de todas, com certeza ninguém imagina ter que passar por complicações neste momento que tende a ser tão memorável. Portanto, saiba quais cuidados as gestantes precisam ter durante a pandemia causada pela Covid-19.

Mesmo que uma gestante tenha tanta probabilidade de ser infectada quanto uma mulher não-grávida, ela acaba se encaixando em um grupo de risco caso contraia o novo coronavírus (Sars-CoV-2) por causa da maior chance de sofrer complicações e precisar de cuidados mais intensos. É o que diz um estudo do Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. 

A pesquisa norte-americana constatou que em casos de Covid-19 em gestantes, há maior chance de morte ou de ser necessário a ventilação mecânica. A amostra do estudo foi feita em 400 mil mulheres sintomáticas com o vírus, sendo 23,4 mil delas grávidas. 

“Elas precisam se conscientizar de que são um grupo de risco”, alertou Clara Menéndez, diretora da Iniciativa de Saúde Materna, Infantil e Reprodutiva do centro de pesquisas ISGlobal, de Barcelona.

Além disso, o estudo do CDC descobriu que os riscos se agravam com a idade, pois, as mulheres grávidas de 35 a 44 anos com Covid-19 tinham quase quatro vezes mais chances de precisar de ventilação invasiva e duas vezes mais possibilidade de morrer que as não gestantes da mesma idade. A explicação pode estar nas mudanças fisiológicas que o gênero feminino sofre durante a gravidez.

“Há várias hipóteses. O sistema imunológico de uma grávida sofre mudanças para não rejeitar o feto como um corpo estranho. Ele se adapta. Não é que a mulher esteja imunodeprimida, mas pode haver mudanças imunológicas que influenciam numa maior reação inflamatória à Covid-19”, disse a pesquisadora do ISGlobal. 

Por meio de provas científicas, houve um consenso de conscientizar todas as gestantes sobre a necessidade de não baixar a guarda em nenhum momento e se proteger, principalmente porque o feto pode ser infectado também através da placenta. “Não se deve alarmar, mas sim dizer a elas que se comportem bem, que não se arrisquem. São um grupo de risco, mas não pelo bebê, e sim por elas”, observou a pesquisa. 

As mulheres que desejam a gestação precisam estar atentas. “O primeiro cuidado é a prevenção primária da doença, a segunda é o isolamento social, uso de máscara e hieginização com álcool”, explicou o ginecologista e obstetra, Luiz Fernando Frassetto, diretor Científico Geral da SOGISC (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de Santa Catarina). 

Riscos da gravidez durante a pandemia no Brasil –

No nosso país, as mortes de mulheres grávidas pela Covid-19 estão acima da média do restante da população. Por isso, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado pedindo que os casais planejem um momento melhor para viver a maternidade.

“Se possível, adie um pouco a gravidez, para um melhor momento, quando puder ter mais tranquilidade”, enfatizou Raphael Parente, secretário de Atenção Primária à Saúde. Segundo experiência clínica, a nova variante brasileira afeta as gestantes de forma bem mais agressiva, com maior risco de coágulos ou trombose. 

“É claro que não podemos dizer isso para quem tem 42, 43 anos, mas para uma jovem, que pode escolher quando engravidar, o melhor agora é esperar um pouquinho”, acrescentou o secretário. A mesma recomendação foi feita pelas autoridades de saúde brasileiras em 2016 por causa da epidemia do zika vírus.

De acordo com o Observatório Obstétrico da Covid-19, os dados coletados indicam que as mortes de gestantes dobraram em 2021, em relação ao ano passado: passou de 10,4 óbitos (ou seja, 449 mortes em 43 semanas de pandemia de 2020) para 22,2 logo nas primeiras semanas deste ano, resultando em 289 mortes.

Atualmente, o Brasil é um dos países onde a Covid-19 mais causa vítimas por dia e a nova onda também está afetando pessoas mais jovens – metade dos internados na UTI possuem menos de 40 anos 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os órgãos reguladores de medicamentos dos Estados Unidos e da União Europeia não contraindicam a vacina para as grávidas, porém, indicam a consulta com o médico antes.

Afastamento das gestantes do trabalho –

Em 2020, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta que torna obrigatório o afastamento das gestantes do trabalho presencial durante o estado de calamidade pública da pandemia do novo coronavírus. O texto é da deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e outras 15 parlamentares que defendem que a gestante ficará à disposição para trabalho remoto.

“O isolamento social é a forma mais eficaz de evitar a Covid-19, e qualquer infecção grave pode comprometer a evolução da gestação”, afirmam as autoras.

13maio, 2021
Quem já teve dengue tem mais chance de ter sintomas na Covid-19, indica estudo

Um estudo do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), publicado na revista Clinical Infectious Diseases, mostrou que indivíduos que já tiveram dengue têm um risco duas vezes maior de desenvolver sintomas caso sejam infectados pelo coronavírus.

Os pesquisadores analisaram amostras sanguíneas de uma coorte de 1.285 pessoas do município de Mâncio Lima, no Acre, onde desenvolvem pesquisas sobre malária e, mais recentemente, sobre Covid-19. O grupo realiza questionários e coletas na região duas vezes por ano para fazer estudos epidemiológicos.

“Esses dados sugerem haver uma interação entre as epidemias de dengue e Covid-19, uma agravando a outra, algo que se convencionou chamar de sindemia. Ambas afetam os setores mais vulneráveis da população”, afirma o coordenador da pesquisa, Marcelo Urbano Ferreira. De um lado, as populações mais expostas à dengue, por fatores socioeconômicos e demográficos, são mais suscetíveis a ter sintomas durante a infecção por SARS-CoV-2. Além disso, a pandemia prejudicou todas as campanhas de controle da dengue.

A idade é outro fator relevante que foi considerado no estudo: em geral, quanto mais velho, maior a chance de ter Covid-19 sintomática e maior a probabilidade de ter sido exposto à dengue. No entanto, em Mâncio Lima, a epidemia de dengue é mais recente (cerca de 7 anos), ou seja, indivíduos mais jovens têm as mesmas chances de terem contraído dengue em relação aos mais velhos.

“Nós fizemos mais de um modelo para ajustar a idade de diferentes maneiras e confirmar que esse fator não estava influenciando a associação entre as duas doenças”, explica Ferreira.

Segundo a pesquisadora Vanessa Nicolete, autora principal do artigo, o primeiro passo foi verificar a presença de anticorpos contra os vírus da dengue em amostras de outubro de 2019 e da Covid-19 em novembro de 2020, através de testes de sorologia. Também foram selecionadas 105 amostras de 2019 de indivíduos que testaram positivo para Covid-19 no ano seguinte, para verificar se eles tinham anticorpos contra SARS-CoV-2 na época e descartar a possibilidade de uma reação cruzada.

Outra etapa importante do estudo foi a identificação da variante de SARS-CoV-2 que circulava em Mâncio Lima na primeira onda. Para isso, a equipe aplicou 50 testes rápidos de swab em moradores com a doença aguda. A pesquisadora Priscila Thihara Rodrigues foi responsável por realizar o sequenciamento genético dos vírus encontrados nessas amostras, em colaboração com o grupo da Profa. Ester C. Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da USP.

O que dizem outros estudos – Os resultados obtidos pela equipe de Marcelo Urbano Ferreira são contrários a uma hipótese levantada por outro grupo de pesquisa no ano passado, que sugeriu que a infecção prévia por dengue poderia ter um fator protetor contra o coronavírus. “Os pesquisadores analisaram dados de incidência de Covid-19 no Brasil e viram que a quantidade de casos era menor em regiões que historicamente tinham muita infecção por dengue”, afirma Ferreira.

Outro artigo, publicado pela Universidade Federal do Acre na revista Clinical Infectious Diseases, também sugeriu essa associação ao investigar o histórico de infecções prévias por dengue em pacientes que tinham sido hospitalizados com Covid-19, através de questionários por telefone. A maior parte dos óbitos no grupo estudado foi de pessoas que, em tese, nunca tiveram dengue.

Segundo o cientista, a diferença nos resultados pode ser explicada por alguns fatores. O primeiro estudo teve uma abordagem rápida ao trabalhar com dados já existentes, porém são dados agregados – ou seja, não foram analisados de acordo com diferentes características, como a idade, por exemplo. Já no outro estudo, os dados coletados dependem da memória dos pacientes sobre ter tido ou não a doença e de um diagnóstico que não necessariamente foi preciso.

“A dengue é uma doença de difícil diagnóstico clínico, pois os sintomas são comuns a várias outras infecções virais. Além disso, a maior parte dos casos é assintomática, então muitos indivíduos podem ter sido infectados sem saber. O teste sorológico é muito mais confiável nesse sentido”, esclarece.

13maio, 2021
Estudo sugere que exercício aeróbico pode frear avanço do Alzheimer

Pesquisadores descobriram que exercício aeróbico pode frear o avanço do Alzheimer. A pesquisa foi publicada no formato de estudo piloto no Journal of Alzheimer’s Disease e sinaliza que esse exercício pode intervir na doença e prepara o terreno para estudos futuros que possam corroborar com a ideia inicial.

O estudo analisou se um grupo de idosos com o Alzheimer teria menos declínio cognitivo após seis meses de exercícios aeróbicos em comparação com o nível de declínio esperado sem esses exercícios. Os pesquisadores selecionaram 96 idosos com 66 anos ou mais, portadores da doença, e os dividiu em dois grupos. O primeiro grupo, com 64 pessoas, participou de aulas de ciclismo três vezes por semana por um período de seis meses. Já os 32 restantes participaram de aulas de alongamento e exercícios de amplitude de movimento.

Os pesquisadores seguiram monitorando a frequência cardíaca dos participantes em ambos os grupos. Além disso, o grupo do ciclismo foi incentivado a atingir de 50 a 75% da reserva da frequência cardíaca, ajudando ao mesmo tempo o outro grupo a manter menos de 20%.

Os resultados comprovaram que ambos os grupos apresentaram resultados significativamente melhores do que se tivessem continuado apenas o tratamento padrão. Para chegar a essa conclusão, foi usado um sistema de escala em que quanto maior o número, pior a cognição. Após seis meses de exercícios ambos os grupos apresentaram números inferiores às expectativas previamente estabelecidas.

Segundo Fang Yu, pesquisador da Universidade Estadual do Arizona e um dos responsáveis pelo estudo, a intervenção de exercícios aeróbicos reduziu de forma significativa o declínio cognitivo se compara com o curso natural da doença. Porém, ainda não existem dados estatísticos que possam detectar diferenças entre os grupos.

Apesar das notícias animadoras, os pesquisadores deixaram claro que se trata de um estudo piloto e que ainda é muito cedo para afirmar algo, visto a quantidade de inconsistências no trabalho.

O Alzheimer é uma doença irreversível e progressiva que afeta as funções neurológicas do indivíduo. Nas formas mais brandas, afeta a capacidade de lembrar ou pensar em coisas específicas. Nas mais moderadas, podem afetar regiões do cérebro e prejudicar a linguagem, o raciocínio, o processamento sensorial e o pensamento consciente. Já nos estágios mais avançados, o paciente fica impossibilitado de realizar funções básicas, como comunicação e reconhecimento de pessoas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos (NIA, na sigla em inglês), a doença costuma aparecer por volta dos 65 anos de idade. Sem cura, o tratamento foca em medidas que possam retardar o avanço da doença e amenizar os seus sintomas. Enquanto os remédios são a principal forma de atenuação, novas evidências sugerem que o exercício aeróbico também pode ser eficaz no retardamento dos sintomas.

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